Atualmente, a Corrente Crítica é considerada um dos maiores avanços na área de gerenciamento de projetos dos últimos 30 anos e tem como origem a Teoria das Restrições.

A Teoria das Restrições (TOC – Theory of Constraints) tem como foco aperfeiçoar os processos, reduzindo custos e aumentando a produtividade. Diante disso, considera a empresa como sendo um sistema integrado, ou seja, um conjunto de elementos que possuem algum tipo de ligação. Isto significa que o desempenho global é o resultado de esforços conjuntos de todos esses elementos.

Assim como em uma corrente, a empresa é tão forte quanto o seu elo mais fraco. Logo, se quisermos melhorar o desempenho do sistema, precisamos conhecer sua principal restrição e atuar nela, de forma a promover um processo de melhoria contínua. (A Meta, Eliyahu Goldratt)

Mas o que é Corrente Crítica?

De forma simples, podemos dizer que Corrente Crítica (Critical Chain / Critical Chain Project Management), é a aplicação da Teoria das Restrições ao ambiente de projetos. Tem como objetivo a melhora de desempenho de projetos desafiando as premissas existentes na forma tradicional de planejar e controlar cronogramas.

No planejamento tradicional, verificamos que tende-se a incluir uma margem ou reserva (segurança) ao final de cada atividade, para suprir eventos de riscos não previstos ou mal dimensionados. Esta é a tendência de superestimar (tempo, custo, …) deve-se também à estabilidade emocional e nível de conforto desejados pelo executor da atividade.

Estima-se que este nível de segurança varia entre 30 a 40%, dependo dos riscos envolvidos em cada atividade, gerando um fenômeno não muito interessante… Imagine multiplicarmos todas as tarefas do nosso cronograma, e diagrama de rede, pelo tempo estimado que seria desnecessário para a realização das mesmas. Ocorreria um aumento no tempo do projeto totalmente desnecessário, incorrendo fatalmente em aumento de custo, por exemplo.

Com tanta margem de segurança, por que ainda há tantos atrasos nos projetos? Podemos identificar alguns fatores mais comuns, tais como:

  • Síndrome do estudante: é esperar que uma atividade se torne realmente urgente para realizá-la;

  • Lei de Parkinson: é fazer com que o trabalho se expanda para preencher todo o tempo disponível, mesmo que a atividade possa ser concluída antes do tempo, o recurso gastará todo o tempo estimado.

A Corrente Crítica entra exatamente na mudança de paradigma, sugerindo que se planeje as atividades estimando suas durações de forma agressiva, reduzindo o tempo, mas de forma que seja factível, para cada atividade do cronograma.

Mas onde colocaremos os tempos estimados que comporão a margem de segurança?
Será colocado um tempo ao final do cronograma, que geralmente é uma estimativa baseada na média da duração das tarefas. Assim consegue-se uma redução em torno de 50% da estimativa original do cronograma. Esta margem de segurança é chamada de “pulmão”.

O que podemos perceber nitidamente é que o uso do método da Corrente crítica, aumenta-se o controle das atividades, mas para isso, deve-se existir na organização um histórico dos reais tempos de atividades idênticas de projetos anteriores. Assim, poderemos chegar em uma estimativa mais perto do real.